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quarta-feira, 21 de abril de 2010

Relacionamento entre líder e liderado


Relacionamento entre líder e liderado
Rodolfo Garcia Montosa
Publicado em 18.04.2006

“Santifica-os na verdade a tua palavra é a verdade”. (Jo 17:17).
Vivemos em um tempo de poucos referenciais realmente dignos de serem imitados no que se refere ao relacionamento entre líderes e liderados. Quando olhamos para a igreja percebemos muita disputa contenda divisões e ressentimentos na caminhada da liderança evangélica. Mas como podemos reverter esse quadro?
Podemos buscar entendimento na Palavra de Deus na revelação e toque do Espírito Santo. À medida que essa Palavra penetrar profundamente nossos corações com os padrões e princípios de Deus mudanças ocorrerão e seremos mais felizes em nossa caminhada ministerial. Assim quero convidá-lo a observar comigo cinco lições sobre o relacionamento entre líder e liderado segundo a prática vivenciada por Jesus e os apóstolos.
1. Relacionamento de amor
Você está lembrado quem era chamado de discípulo a quem Jesus amava? Certamente veio em sua mente o nome de João correto? Mas a segunda pergunta que faço é: quem disse isso? Se você parar de ler por um momento e refletir é muito provável que tenha dificuldades em se lembrar. Pois aqui está uma grande surpresa. Quem falou isso foi o próprio discípulo. Confira lendo os textos Jo 13.2319.2620.221.720. Mas o que isso significa? João não era o único a quem Jesus amava mas sua percepção do amor de Jesus era tão grande que o fez se identificar desse modo. Aqui temos a primeira lição. A base do relacionamento entre líder e liderado deve seguir o padrão do amor percebido entre Jesus e João.
2. Relacionamento Cristrocêntrico
Vivemos dias de grande barateamento do evangelho. Muitos retiram das escrituras somente aquilo que traz bem-estar. É certo que Deus é bondoso e generoso mas a essência do evangelho é tão somente Jesus Cristo. A pregação antropocêntrica (focada na pessoa) deve ser mudada para ter Jesus Cristo no centro. Seu amorsua graçasua vontadeseus planosseu padrão de vidasua santidade enfim devemos ter este eixo em nossa pregação e nosso relacionamento líder e liderado. O apóstolo Paulo dá grande ênfase neste foco ao desejar que Cristo seja formado em seus discípulos (Gl 4.19)pois afinal podemos correr o risco de termos uma fé completamente vã se Jesus não for o centro (1 Co 15.17).
3. Relacionamento de fidelidade
O discurso corrente deste mundo moderno valoriza a individualidade ao extremo. “Minha” visão“meu” chamamento“minha” unção são apenas algumas expressões que podem indicar o quanto estamos influenciados por essa mentalidade. Sigo “meu” líder somente até quando for conveniente partindo para seguir “meu” caminho. A base bíblica do relacionamento deve ser a aliança. A atitude decorrente deve ser a fidelidade. Pois afinal somos nós pelo Reino. Jesus valorizou o servo bom e fiel (Mt 25.21) pela obediência e cumprimento de suas orientações. Jesus requisita fidelidade pois ele foi fiel em seu propósito. Assim também deve ser o relacionamento líder e liderado como um só corpo e família.
4. Relacionamento de serviço
Jesus deixou muito claro que no padrão da Nova Aliança o objetivo de líder era servir (Mt 20.26-28). O liderado deveria seguir esse padrão sempre servindo. Uma comunidade onde todos servem ninguém passará necessidades de nenhuma natureza. Quando o líder ou o liderado exigem serviços para si o relacionamento começa a complicar. A maior expressão da liberdade é servir sem a obrigação de fazê-lo (Gl 5.13). Se formos verdadeiramente livres serviremos com alegria nos dons e talentos que recebemos de Deus. Se não servimos precisamos de libertação em nossos corações.
5. Relacionamento de modelo de vida
Talvez nesta lição tenhamos o maior desafio de todos. Há muito já não se aceitam líderes que pregam com palavras conteúdos diferentes do que vivem. Alguém disse “não consigo ouvir o que você diz pois suas atitudes falam mais alto”. O apóstolo Paulo desafiou e orientou seus liderados a imitarem seus procedimentos (2 Tm 3.101 Co 4.1611.1). É assim mesmo. Nosso relacionamento transmite nosso modelo de vida. Não significa que o líder deva ser perfeito. Aliás à medida que o liderado cresce espiritualmente igualmente poderá influenciar seu líder nas áreas que consegue andar no padrão de Cristo. Nessa caminhada de imitação ambos tem o maior modelo de todos: Jesus Cristo.
Ao observarmos essas lições com nossos corações abertos com a ministração do Espírito Santo subiremos novos padrões nos relacionamentos líder e liderado. Deixe-se influenciar por essas verdades. Somente assim seremos mais felizes em nossa caminhada ministerial.
Na benção!!! Tudo Pelo Reino

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Liderança com base bíblica


Nos últimos tempos, muito se tem escrito a respeito de liderança e gestão de pessoas. As organizações perceberam que, para competir, não basta simplesmente possuir um bom serviço, uma boa tecnologia, um bom produto ou ter o marketing bem estruturado.

Perceberam que o diferencial está na forma como se relacionam com as pessoas, tanto aquelas que são os consumidores quanto aquelas que são os responsáveis por fazer com que a organização alcance o esperado, ou seja os colaboradores.

Até mesmo esta nova palavra, colaborador, foi introduzida no vocabulário das organizações em substituição a “empregado” ou “funcionário”. Hoje, percebe-se a necessidade de ter as pessoas envolvidas com os processos e não simplesmente cumprindo ordem.

Não basta mais “pagar o salário no final do mês”, é necessário reter os talentos ofertando condições de trabalho, ganho, satisfação, crescimento profissional e pessoal.

O que motiva as pessoas não é visto mais como padrão para todos, e muito menos as recompensas. É necessário observar as expectativas e necessidades individuais e, assim, satisfazê-las de acordo com o perfil de cada um.

Diante desta constatação, muitas técnicas e filosofias são utilizadas, tentando mover as pessoas à produtividade. A Bíblia Sagrada, livro com mais de cinco mil anos, possui exemplos significativos sobre a gestão de pessoas que são perfeitamente aplicáveis hoje, em pleno século XXI. É importante extrair estes ensinamentos e aplicá-los no nosso dia-a-dia, com a certeza que estaremos recorrendo a mais inspiradora fonte de sabedoria.

O que a Bíblia ensina sobre liderança?

Uma das coisas mais importantes relatadas na Bíblia é saber dar a devida importância para as pessoas. Com base neste princípio, as pessoas sempre estarão em primeiro plano.

O caráter de um líder é que gera a confiança, e essa confiança é que possibilita a liderança. Ninguém melhor que o próprio Jesus Cristo e o exemplo de seu caráter para termos como padrão.

Jesus sempre mostrou respeito e preocupação para com aqueles que O seguiam, como relatado em Marcos 6: 31, onde Ele chama os discípulos para descansarem ou quando alimenta a multidão com os cinco pães e dois peixes. Marcos 6:35 a 44.

Outra característica muito importante em Sua forma de liderar, está no fato de saber exatamente qual o papel que desempenhava. Ele sabia que estava sob a liderança de seu Pai, e isto significava cumprir o que lhe fora determinado.Vejamos algumas citações

“Disse-lhes Jesus: A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou, e realizar a sua obra”. (João 4:34)

“Pai, se queres, passa de mim este cálice, contudo, não se faça a minha vontade, e, sim, a tua”. (Lucas 22:42)

Ele sabia também, que estava acima dos discípulos e que teria que prepará-los para conduzir sua grande obra. Jesus deu o exemplo, conforme João 13:14 e 15, onde Ele lava os pés dos discípulos:

“ Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também. (João 13:15)

O exemplo de Jesus, nos mostra a importância de reconhecermos a autoridade que esta acima de nós, respeitá-la e caminhar de acordo com sua orientação.

Foi assim que Jesus fez, mesmo no momento de maior sofrimento (Lucas 22:42), Ele colocou a vontade de seu pai acima da sua. Vemos também aqui, a questão da confiança que devemos ter em nossos líderes.

Jesus tinha a plena convicção que seu sacrifício não seria em vão. Ele sabia que o plano de Deus tinha um propósito, mesmo exigindo d´Ele um extraordinário sacrifício – sua morte, foi fiel ao que seu líder lhe havia ordenado.

A confiança e obediência de Jesus foi incondicional, sem levar em conta circunstâncias como; seu bem-estar, as dificuldades, oposições ou qualquer outra coisa. Obediência irrestrita, pois Ele era um com seu líder (Pai).

Vemos também a forma como Jesus agia com seus liderados:

Ele estava disposto a pagar o preço por aqueles que estavam sob a sua liderança

Ele investiu tempo, muito tempo. Passou dias e noites ao lado deles ensinando, dando o exemplo, fazendo junto, de forma que pudessem ter a plena confiança em fazer o que seu mestre faziaJesus não reteu informação, não reteu poder, não reteu conhecimento. Ele precisava que seus discípulos tivessem a plena convicção que seriam capazes de realizar Sua obra e irem além. Tanto foi assim, que afirmou que eles poderiam realizar obras maiores que a Sua

“Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer.” (João 15:15)

“Em verdade, em verdade vos digo que aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço, e outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai.” (João 14:12)

Jesus também capacitou seus discípulos e enviou-os em seu nome para realizar algo muito importante. A comissão dos Setenta – Lucas 10, mostra claramente um líder delegando a um grupo autoridade para que o precedessem e para fazer o que ele mesmo faria; curar enfermos, expulsar demônios e anunciar as boas novas.

O líder precisa contar com seguidores. Precisa preparar a sucessão. Um líder precisa em certo momento, delegar a outros aquilo que faz ou parte daquilo que faz.

Jesus só pode realizar sua maior obra aqui na terra, sua morte e ressurreição, depois que pode confiar aos discípulos a missão de anunciar ao mundo as “boas novas da salvação.”

O líder precisa também, deixar claro aos seus seguidores qual a recompensa que terão por segui-lo e neste ponto, Jesus nunca omitiu nada, foi sempre claro, conforte podemos observar em João 15:20 “...Não é o servo maior do que seu senhor. Se me perseguiram a mim, também perseguirão a vós outros...”

João 14: 23 “Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará e viremos para ele e faremos nele morada.”

José Valdir Fonteque / missao do milenio

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

As bases de uma liderança cristã intrínseca



Isaltino Gomes Coelho Filho
A liderança cristã intrínseca se sustenta sobre um tripé: Cristo a Bíblia e a Igreja.
Primeiro o pastor precisa ser uma pessoa apaixonada por Jesus Cristo e seu evangelho. Deve ser como Stott disse de Paulo “intoxicado de Cristo”. Há pastores que mostram amor pelo prédio pelo templo pela instituição pelo seu ministério mas não por Jesus. Deve poder recitar Gálatas 2.20: “Fui crucificado com Cristo. Assim já não sou eu quem vive mas Cristo vive em mim. A vida que agora vivo no corpo vivo-a pela fé no filho de Deus que me amou e se entregou por mim.”. O povo de Cristo seguirá um líder apaixonado por Cristo. Esta paixão por Jesus dá ao pastor uma grande autoridade moral.
Em segundo lugar o pastor deve ser um homem apaixonado pela Bíblia. Rebanhos doentes seguem líderes doentes que têm suas revelações e esquisitices. Mas um rebanho sadio não age assim. O pastor não pode ler a Bíblia profissionalmente buscando mensagem. Deve lê-la com avidez sabê-la respeitá-la. Ao subir ao púlpito o povo deve ver seu amor e seu zelo pela Escritura. Deve saber expô-la. Deve preferir o sermão expositivo. Deve ser alguém que mostre conhecimento da Bíblia e como ela se aplica à vida do povo. Isto significa estudá-la e estudar gente também não pregamos a Bíblia no vácuo mas para pessoas.
Em terceiro lugar deve amar sua igreja. Um rebanho que é amado e sabe que é amado ama e respeita o pastor e o segue. Um dos maiores bens que um pastor pode fazer á sua igreja é amá-la e dizer-lhe que ama. A liderança amorosa de alguém interessado é sempre mais acatada que a liderança que vê a necessidade de progresso da empresa que o sustenta. Muitas vezes os crentes nos machucam irritam e fazem desejar deixar o ministério. Como se diz por aí “faz parte”. É isto que nos amadurece e que fortalece o relacionamento. Há superação das crises e se vê que é possível continuar o trabalho.
Em suma a liderança pastoral precisa ser espiritual. Precisa ser de espiritualidade segura. O povo acata a liderança que tranqüiliza. É fácil acatar que nos faz sentir seguros e confiantes nos rumos tomados. Há pastores que são meio sem rumo e isto intranqüiliza a igreja. Em alguns a espiritualidade não é observada. Quando se notam as marcas de Cristo o zelo pelas Escrituras e o amor pela igreja na vida de um pastor ele tem mais possibilidades de ser acatado.
Algumas sugestões para uma liderança intrínseca
Isto não é receita de bolo mas algumas sugestões ajudarão na conquista de uma liderança intrínseca.
(1) Procure amadurecer. Meu primeiro pastorado foi aos 23 anos. Quanta bobagem e quanta atitude imatura! Mas descobri que precisava amadurecerse quisesse alguma coisa positiva. Maturidade não vem por título ou função mas por análise dos erros vontade de superá-los polimento da pedra bruta que somos. Um líder que está crescendo e buscando ser melhor tem mais peso.
(2) Aprenda a pedir desculpas. Reconheça seus erros. Peça perdão a crentes que magoar peça perdão à igreja quando errar. A verdadeira humildade não é teatral mas relacional. É saber dizer que errou e procurar consertar. Acata-se mais uma pessoa que mostra sua face humana que uma que vive no pedestal. Assuma quando errar diga isto e mostre que quer consertar. A face humana de um líder pesa muito.
(3) Saiba trabalhar em bastidores. É diferente de manobrar cordéis em bastidores. É não desejar sempre aparecer em primeiro plano. Significa deixar os outros aparecerem e reconhecer o trabalho deles. Significa deixar que a glória e o reconhecimento sejam dos outros. Os liderados têm valor e muitos deles fazem trabalhos fantásticos cuja ausência nos prejudicaria muito. Qual pastor por exemplo que pode prescindir do trabalho de tantas senhoras muitas delas agindo em bastidores? Traga os que trabalham em bastidores para o palco e saiba sair do palco para os bastidores.
(4) Reconheça o valor dos outros. “Quem sai à guerra precisa de orientação e com muitos conselheiros se obtém a vitória” (Pv 24.6). Socializar debates socializa decisões. Quando se acerta o pastor acertou com o pessoal. Quando se erra todos erraram. Nenhum de nós é genial em tudo. Há gente muito mais gabaritada que nós em muitas áreas da vida em nossas igrejas. Melhores administradores inclusive como os há. Ouvi-los é bom. Aprenda a elogiar um bom trabalho. Deixe claro que está satisfeito e que confia nas pessoas com quem reparte liderança.
(5) Seja sensível às reações das pessoas. Podemos pensar que estamos agradando e não estarmos. Há sinais e indícios que indicam hora de avançar hora de recuar quando mudar estratégias e táticas. Volto a este ponto: saiba ler as pessoas. Em outras palavras tenha “desconfiômetro”. Nós nos movemos num território mais emocional que racional e prestar atenção à emocionalidade das pessoas nos ajudará muito. Não pense que “Ora é um só!”. Também não se deixe guiar pelas reações alheias. Tenha convicções bem definidas e sensibilidade aguçada.
(6) Continue sempre dependendo de Deus. Liderança cristã é diferente de liderança secular. Nesta valem talentos habilidades e capacidade de trabalho e decisão. Que não perdem valor na liderança cristã. Mas nesta deve sobressair a consciência de que é uma obra para Deus envolvendo o povo de Deus e que deve ser feita na dependência de Deus. Momentos de oração e exame diante de Deus valem que dúzias de livros de auto-ajuda e até mesmo que cursos de liderança.
Cultive o caráter cristão. Deixei este parágrafo por último porque queria entrar na conclusão com esta idéia em mente: o maior de todos os líderes em todos os tempos foi Jesus. Inclusive saiu há pouco um livro que analisa seu estilo de liderança. Ele escolheu doze sem brilho acadêmico para mudar a face do mundo. Seria simplesmente ridícula tal pretensão em qualquer outro! Dos doze um o traiu dez fugiram e um seguiu de longe para ver o que ia acontecer. Morreu vergonhosamente.
Pois bem seu impacto no mundo foi tão grande que ele dividiu a história em antes dele e depois dele. Evidentemente que o fato de ser ele a segunda pessoa da Trindade o Filho eterno tem grande responsabilidade nisto. Mas há um fator que não se pode ignorar: sua liderança não foi senhoril mas serviçal. Inclusive há outro livro secular sobre a liderança serviçal de Jesus. Ele se mostrou como servo.
O tema de Marcos está em 10.45: “O Filho do homem não veio para ser servido mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos”. Seus seguidores se recuperaram e se dispuseram a morrer por ele porque ele fez isto. Ele morreu por eles. Ele deu o exemplo. Conseguiu seguidores com mentalidade de servos porque era servo. O líder dá exemplo. Teremos liderança intrínseca aquela que move as pessoas quando formos exemplos para o rebanho. Esta é a grande recomendação: o verdadeiro líder move pelo exemplo. Sejamos exemplos!

Na benção!!! Suelen Cristina
Vila Velha - Espírito Santo - Brasil / Missao do Milenio

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Quem pode ser líder na Igreja de Cristo?


A escolha e nomeação de líderes na igreja de Cristo é um processo de vital importância, cuja eficácia é comprometida por dois posicionamentos extremos.
Por um lado, muitas pessoas potencialmente capacitadas pelos parâmetros apresentados nas Escrituras não se imaginam atuando como líderes, pois têm seus conceitos sobre liderança permeados por paradigmas humanos, ultrapassados e não valorizados por Deus.
Para estas pessoas, os líderes têm habilidades naturais que não podem ser aprendidas. Pensam que líderes são aqueles indivíduos visivelmente percebidos como tal, porque tendem a impor melhor suas idéias e conseguem manifestar sua influência sobre outros com muito mais intensidade do que são influenciados por estes.
Indivíduos com esse perfil são rotulados de "líderes natos" - aqueles superdotados no campo dos relacionamentos - cuja ascendência nas relações é notada desde a mais tenra idade. O sentimento de incapacidade é inevitável para muitos que possuem esse elevado e distorcido conceito sobre liderança cristã. Como conseqüência, a igreja de Cristo fica desfalcada de pessoas de valor que poderiam atuar com muita relevância na sua edificação.
Por outro lado, as demandas carentes de líderes se avolumam e mesmo imbuídos da mais nobre intenção de fazer com que as coisas na igreja aconteçam, somos impulsionados a nomear líderes ignorando as orientações bíblicas que deveriam nortear este ato.
As escolhas são direcionadas pela necessidade e, quando muito, por aquilo que se conhece das credenciais humanas, mas não pelos critérios apresentados nas Escrituras.
As experiências profissionais, as habilidades naturais e às vezes somente o fato de alguém aceitar o desafio são os elementos considerados suficientes para conduzir o processo. Como conseqüência, a igreja de Cristo acaba sendo liderada por pessoas biblicamente desqualificadas, cujas atuações são altamente prejudiciais à saúde do Corpo de Cristo.
Em um extremo verificamos a busca pelos poucos naturalmente superdotados e no outro extremo a postura de que qualquer um serve.
À luz dessas considerações, faz-se necessário desmistificar a liderança cristã, sem diminuir sua grandiosidade, e buscar na Palavra de Deus os princípios estabelecidos por Ele para colocar alguém nesta posição.
Se quisermos atuar em obediência ao Senhor, não podemos admitir procedimentos que ignoram Seus critérios para a escolha dos líderes da Sua igreja.
A Palavra de Deus nos apresenta em 1Timóteo 3 e Tito 1 os parâmetros essenciais para a escolha dos oficiais da igreja de Cristo, sejam eles bispos (ou supervisores), sejam eles diáconos. Os candidatos a líderes na igreja de Cristo, quer liderando algum ministério, quer atuando no diaconato, deveriam ser submetidos ao crivo dessas passagens. São essas qualificações que Deus espera encontrar nos candidatos a líderes do Seu rebanho.
Com isto em mente, destaquemos alguns aspectos essenciais derivados de uma análise mais cuidadosa dessas duas passagens:
Em primeiro lugar é interessante perceber que não vemos nessas passagens a busca por aquelas habilidades normalmente esperadas em um "líder nato". Deus não busca pessoas que "vendam bem suas idéias", ou que influenciem outros com sua personalidade forte, ou mesmo que possuam experiências significativas no mercado de trabalho.
Pelo contrário, Deus estabelece características que são virtudes cristãs acessíveis a todo servo fiel, e que podem ser didaticamente agrupadas da seguinte forma:
- Possuir um lar bem constituído (marido de uma só mulher, filhos fiéis e bem comportados sob disciplina - "pois se alguém não lidera a própria casa como cuidará da igreja de Deus?". A hospitalidade requerida do líder também está relacionada com seu lar - é como se ele dissesse "podem ficar em casa - não tenho nada a esconder!").
- Comportar-se exemplarmente (irrepreensível, bom testemunho dos de fora, primeiramente experimentado, justo, fiel em tudo, piedoso, respeitável, amigo do bem).
- Exalar humildade (modesto, não arrogante, não neófito - para não se ensoberbecer).
- Comunicar-se com santidade (uma só palavra, não maldizente)
- Manifestar autocontrole (domínio de si, sóbrio, temperante, não violento, inimigo de contendas, cordato, não dado ao vinho)
- Apresentar desapego material (não avarento, não cobiçoso de torpe ganância).
- Manejar bem a Palavra da Verdade (apto para ensinar, apegado à palavra fiel, poder para exortar no reto ensino e convencer os que contradizem).
Em segundo lugar é necessário admitir, como desdobramento natural desse entendimento aliado à disposição de obedecer ao Senhor, que será necessário em alguns contextos tomar a corajosa decisão de não realizar alguma obra por falta do obreiro qualificado, ou não preencher algum cargo pela mesma razão.
Finalmente, em virtude deste cenário avaliado, é imperativo ressaltar a importância de se investir em vidas, através do discipulado cristão, como plataforma de formação e capacitação de líderes.
Idealmente, uma igreja sadia deveria ter mais pessoas qualificadas, ou líderes em potencial, do que líderes em exercício - pois as virtudes esperadas dos líderes são na verdade manifestações da piedade, que são, a rigor, o padrão de Deus a ser almejado por todos os seus filhos.

O lado duro da liderança pastoral


Se examinarmos cuidadosamente a vida dos líderes da Bíblia, principalmente as dificuldades que tiveram e os obstáculos que enfrentaram ao longo do seu ministério, nós, pastores da atualidade, poderemos entender melhor muitos dos problemas pelos quais já passamos, e até prognosticar realisticamente os obstáculos em potencial que ainda poderão se manifestar.
A liderança pastoral tem um lado duro, que colocará à prova muitas virtudes da fé cristã, como a perseverança, a paciência, o domínio próprio, a cordialidade, a confiança no Senhor e o amor às ovelhas. Esta constatação sobre a dura realidade da liderança pastoral, deveria também influenciar nas decisões que os aspirantes ao ministério precisam tomar quanto a manterem ou não suas investidas por se tornarem pastores.

Liderar a igreja de Cristo envolverá a necessidade de superação constante de obstáculos, assim como a necessidade de suportar, com longanimidade, os constantes sofrimentos que serão impostos nas mais variadas esferas desta experiência. Esta realidade é inerente à grandiosidade da tarefa e à desesperada oposição do inimigo, já derrotado, mas temporariamente ativo e aplicado a infringir derrotas aos homens de Deus chamados para pastorear Sua igreja que prevalecerá contra as portas do inferno.
Para suportar esse lado duro, o pastor precisará desenvolver uma "pele grossa" que resiste às inúmeras fontes que podem ferir até mortalmente os mais sensíveis e melindrosos, que logo se perceberão inaptos para o ministério, tamanha a dor que sentem.
Líderes da Bíblia e suas experiências

Quando Paulo escreve aos Coríntios, notamos que o apóstolo se defende de algumas críticas injustas que recebia ali. Em 1 Coríntios 9:1-2 Paulo se aplica a defender sua autoridade apostólica, não aceita por alguns crentes carnais daquela igreja. Em 2 Coríntios 10:8-11 Paulo se defende da acusação de ser duro por carta, mas frouxo pessoalmente.
As críticas são como pedras lançadas contra o pastor, visando machucá-lo quando atiradas diretamente ou visando machucar a sua imagem quando desferidas nas fofocas e maledicências praticadas pelas ovelhas menos maduras.
Algumas críticas terão fundamento, outras não. Algumas serão feitas para ferir outras ferirão mesmo que esta não tenha sido a intenção de quem a fez. Precisamos aprender a lidar com elas. Algumas serão proveitosas e fomentarão nosso crescimento, outras deverão ser tratadas como pecado e as medidas bíblicas contra elas deverão ser tomadas corajosamente, mas com o espírito de brandura típico dos maduros na fé, conforme Gálatas 3:1. Já outras, colocarão nosso ego à prova e desqualificarão rapidamente aqueles que não admitem, por orgulho próprio, que sejam atacados, contrariados ou mesmo rejeitados.

Igualmente tão desafiador quanto enfrentar críticas pessoais, quem desempenha a liderança pastoral também tem que tratar com as murmurações. Moisés experimentou essa dura realidade. Em Êxodo 15:24, 16:2, 17:3, Números 16:41 estão alguns relatos do povo murmurando contra Moisés e Arão. Em Números 21:5 vemos o povo murmurando contra o próprio Senhor, que os castiga com serpentes para que se arrependam da sua postura de reclamação.
O pastor sempre encontrará pessoas reclamando de alguma coisa, descontentes com alguma situação, preferindo que as coisas sejam diferentes do que são. A murmuração é uma manifestação de carnalidade, e muitas vezes ela vem de pessoas sobre as quais nutríamos uma expectativa de uma postura mais madura e tolerante, causando em nós frustração e eventualmente, dor por ter que lidar com elas.
E por mencionar manifestações de carnalidade, há de se lembrar que existem outras situações em que os mais carnais lançam comentários contundentes para machucar os pastores.
Lamentavelmente, tem se avolumado os casos de pastores injustamente perseguidos e até destituídos dos seus ministérios sem receber nenhum respaldo. Às vezes porque discordaram de algum membro ou líder influente, ou ameaçaram a hegemonia ditatorial de alguma família que quer exercer primazia, ou porque combateram alguma prática pecaminosa fazendo com que alguns se sentissem ameaçados e vulneráveis.

Há muitos "Diostrefes" por aí perseguindo injustamente homens de Deus, tal como aquele de 3 João, que boicotava os missionários que vinham de longe para pregar o evangelho, não lhes dando acolhida e proibindo o restante da igreja de os receberem, pois "gostava de exercer a primazia" e não dividia sua posição de honra com ninguém.
Neemias foi caluniado, como vemos em Neemias 6:6. Pessoas queriam causar-lhe mal (Neemias 6:2). Eles até subornaram profetas para lhe falar mentiras em nome de Deus, para prejudicá-lo.(Neemias 6:10-14).

Não é difícil entender que um pastor íntegro e comprometido com a Palavra de Deus torna-se facilmente uma ameaça em igrejas corrompidas pela carnalidade. Receber oposição covarde e agressiva nesse cenário não é um fato surpreendente.

A Palavra de Deus nos avisa, em 2 Timóteo 3:12, que todos que quiserem viver piedosamente serão perseguidos. No caso dos pastores piedosos, às vezes a perseguição vem de dentro da sua própria igreja!

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"Confessai as vossas culpas uns aos outros, e orai uns pelos outros, para que sareis. A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos." (Tiago 5:16).

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